São Lucas 20
Um dia, Jesus ensinava no templo e anunciava ao povo a Boa-Nova. Chegaram os príncipes dos sacerdotes e os escribas com os anciãos,
e falaram-lhe: “Dize-nos: com que direito fazes essas coisas, ou quem é que te deu essa autoridade?”.
Eles começaram a raciocinar entre si, dizendo: “Se dissermos: Do céu, ele dirá: Por que razão, pois, não crestes nele?
Se, porém, dissermos: Dos homens, todo o povo nos apedrejará, porque está convencido de que João era profeta”.
Replicou-lhes também Jesus: “Nem eu vos direi com que direito faço estas coisas”. (= Mt 21,33-46 = Mc 12,1-12)
Então, Jesus propôs-lhes esta parábola: “Um homem plantou uma vinha, arrendou-a a vinhateiros e ausentou-se por muito tempo para uma terra estranha.
No tempo da colheita, enviou um servo aos vinhateiros para que lhe dessem do produto da vinha. Estes o feriram e o reenviaram de mãos vazias.
Tornou a enviar outro servo; eles feriram também a este, ultrajaram-no e despediram-no sem coisa alguma.
Vendo-o, porém, os vinhateiros discorriam entre si e diziam: Este é o herdeiro; matemo-lo, para que se torne nossa a herança.
Virá e exterminará esses vinhateiros e dará a vinha a outros”. A essas palavras, disseram: “Que Deus não o permita!”.
Mas Jesus, fixando o olhar neles, disse-lhes: “Que quer dizer então o que está escrito: A pedra que os edificadores rejeitaram tornou-se a pedra angular (Sl 117,22)?
Todo o que cair sobre esta pedra ficará despedaçado; e sobre quem ela cair, este será esmagado!”.
Naquela mesma hora, os príncipes dos sacerdotes e os escribas procuraram prendê-lo, mas temeram o povo. Tinham compreendido que se referia a eles ao propor essa parábola. (= Mt 22,15-22 = Mc 12,13-17)
Puseram-se então a observá-lo e mandaram espiões que se disfarçassem em homens de bem, para armar-lhe ciladas e surpreendê-lo no que dizia, a fim de o entregarem à autoridade e ao poder do governador.
Perguntaram-lhe eles: “Mestre, sabemos que falas e ensinas com retidão e que, sem fazer acepção de pessoa alguma, ensinas o caminho de Deus segundo a verdade.
Assim não puderam surpreendê-lo em nenhuma de suas palavras diante do povo. Pelo contrário, admirados da sua resposta, tiveram de calar-se. (= Mt 22,23-33 = Mc 12,18-27)
“Mestre, Moisés prescreveu-nos: Se alguém morrer e deixar mulher, mas não deixar filhos, case-se com ela o irmão dele, e dê descendência a seu irmão.
Casou-se depois com ela o terceiro. E assim sucessivamente todos os sete, que morreram sem deixar filhos.
mas os que serão julgados dignos do século futuro e da ressurreição dos mortos não terão mulher nem marido.
Eles jamais poderão morrer, porque são iguais aos anjos e são filhos de Deus, porque são ressuscitados.
Por outra parte, que os mortos hão de ressuscitar é o que Moisés revelou na passagem da sarça ardente (Ex 3,6), chamando ao Senhor: Deus de Abraão, Deus de Isaac, Deus de Jacó.
Pois o próprio Davi, no Livro dos Salmos, diz: Disse o Senhor a meu Senhor: Senta-te à minha direita,
“Guardai-vos dos escribas, que querem andar de roupas compridas e gostam das saudações nas praças públicas, das primeiras cadeiras nas sinagogas e dos primeiros lugares nos banquetes;
que devoram as casas das viúvas, fingindo fazer longas orações. Eles receberão castigo mais rigoroso”. (= Mc 12,41-44)